quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Dica Musical - B Negão e os Seletores de Frequência.


A música é a própria personificação da democracia. Você pode cantar bem ou mal, com uma letra superficial e totalmente comercial ou fazer uma dura critica ao governo. Você pode colocar um instrumento ou uma orquestra inteira. O instrumento pode ser um pedaço de madeira amarrado com arame e uma cabaça cortada ou pode ser um par de pickup e um mixer. Você pode dançar, pular, dar cambalhotas ou ficar sentado em um banco. Você pode ainda gostar ou não de uma música.

Cada parte da minha vida foi regida por um estilo de música e hoje, felizmente, levo essa diversidade musical com muito gosto. Meu Ipod em modo shuffle (aleatório) toca desde MPB ao Rock, Jazz ao Hip Hop, Samba ao Rap e Blues ao Reggae, mas se tem uma coisa que me atrai são os ritmos que se misturam, músicas que você escuta e não sabe enquadrar em qual gênero ela se encaixa, com letras inteligentemente afiadas para rasgar com criticas a sociedade, humanidade, governo ou seja lá o que for. Comercialmente falando, essa indefinição de gênero ou duras criticas não são positivas, mas musicalmente, essa quebra de paradigma, constrói um ambiente sonoro novo para nossos ouvidos e quando isso ocorre, mesmo que em uma escala muito pequena, nos incomodamos quando voltamos aos gêneros pré-fabricados e melhor, nos incomodamos com as criticas colocadas nessas músicas.

B Negão e os Seletores de Frequência é isso! Quando escutei pela primeira vez, o que mais me chamou a atenção foi a diversidade sonora, Hip Hop com Dub e o trompete colocando um tempero Blues, destaque para a faixa “Ho Hay”, totalmente instrumental. Depois da primeira impressão, comecei a prestar atenção nas letras e fiquei impressionado com o conteúdo, que além da critica sócio-política, para minha surpresa, também tem um apelo espiritualista muito forte.

As faixas “Nova Visão”, “O Processo” e “V.V.”, são uma síntese de alguns fundamentos espiritualistas como o desprendimento ao materialismo, lei da ação e reação, evolução espiritual, fé em Deus (ou seja lá qual for o nome dado a Ele), entre outros. Outra faixa que chamou minha atenção para esse lado foi “O Opositor”, que na minha visão parece falar dos “obsessores” e como eles interagem conosco.

A faixa “Prioridades” é uma crítica ferrenha a sociedade, dando um tapa na nossa cara, mostrando como as nossas prioridades estão distorcidas, onde a felicidade esta em bens materiais, ou ainda nos extremismos religiosos chamadas de guerras-santas. Enfim, se você é um ser humano, sinta-se criticado.

Por ultimo a faixa “Enxugando Gelo”, minha preferida, além de um teor de história em quadrinhos, me fez refletir em como existem muitos super-heróis no mundo, sobrevivendo com salários ínfimos, alimentando uma família, pagando impostos, educando os filhos com amor e ainda por cima fazendo tudo isso com bom humor.


Quando eu escuto um som como B Negão e os Seletores de Frequência, por um lado eu fico muito satisfeito em ver que é possível criticar a sociedade e o governo de uma forma inteligente – por que é isso que eles são – com qualidade sonora e maestria nos arranjos e mixagens. Mas, por outro lado, penso que poderiam ter mais sons como esse, que esse tipo de música dominasse os Ipods dos jovens e adolescentes, que as frases dessas músicas os incitassem a agir dentro da sociedade e contra o governo, quando necessário. Por isso, procuro sempre mais sons como esse – e tenho encontrado. Sigo torcendo para que B Negão e os Seletores de Frequência tão logo possa produzir mais um trabalho primoroso como o álbum Enxugando Gelo.

Acredito que o mundo esteja passando por um processo de mudança e que a Nova Visão pode estar acontecendo agora, devagar, mas acontecendo.

Duda.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

O livre arbítrio dos homens


Essa semana li uma matéria interessante na revista Galileu, embora o assunto seja um pouco complexo, vou tentar colocar minha opinião da maneira mais imparcial possível. O titulo da matéria já é bem impactante para qualquer religioso: “Uma bíblia sem Deus”. A matéria fala sobre uma bíblia para ateus, onde o autor reúne frases e conceitos de grandes pensadores. É possível ler uma parte da matéria em formato digital aqui.

Obviamente ainda não li esse livro, pois ainda não se encontra disponível no Brasil, mas pretendo ler. O assunto coloca em pauta uma discussão secular, onde milhares de pessoas já morreram por frases muito mais brandas das que eu vou colocar aqui. Entendam que não vou fazer criticas a nenhuma religião, muito menos coloco em questão as crenças das pessoas, mas vou fazer uma dura critica ao ser humano.

Independente de acreditar em Deus ou não, as pessoas precisam renovar sua fé nos homens, nos indivíduos que convivem diariamente, que se relacionam e que muitas vezes se chamam de irmãos. Rezar para Deus, para Alá, Thor, Odin ou qualquer outra denominação, rogando por milagres é importante, milagres podem acontecer. Mas será que quase todos os nossos problemas não poderiam ser resolvidos sem milagres, se rogássemos a nossos irmãos, os homens, com humildade e caridade, estes não estenderiam suas mãos para nos ajudar?

Tudo bem, não quero criar aqui uma utopia. “Paz no mundo” é um chavão muito ultrapassado, desgastado em paródias de concursos de beleza.

Vou citar 10 coisas que as pessoas deveriam fazer para que o mundo (de uma forma geral) se tornasse um bom lugar para se viver:

1. Ame bem
2. Busque o bem em todas as coisas
3. Não faça mal aos outros
4. Pense por si mesmo
5. Assuma responsabilidade
6. Respeite a natureza
7. Faça o seu melhor
8. Seja informado
9. Seja bondoso
10. Seja corajoso - ao menos tente sinceramente

Tenho que confessar que os 10 itens acima não sairam da minha mente. Vou explicar.

O que me entusiasmou para falar desse assunto tão polemico (ainda mais nesse recém nascido blog) foi ver uma lista de 10 ações citadas na matéria com o nome de “os dez mandamentos do ateu”, os quais eu transcrevi acima na íntegra.

Eu coloquei de propósito os itens acima e depois a referência de onde os copiei, para que não lêssemos com um certo preconceito. Não é interessante como essas palavras vieram de pessoas taxadas como “pessoas que não tem Deus no coração”? Não é interessante a preocupação com o bem estar próprio e o bem estar dos homens? Não é interessante o conceito da fé nos homens?

Pois bem, não vou entrar em detalhes e nem me prolongar muito. Dentre todos os mandamentos apresentados acima, dois me chamam muito a atenção:

- Assuma a responsabilidade: “Deus quis assim”. “Como Deus é impiedoso”. Muito fácil colocar a culpa em alguém, ainda mais Alguém que não tem como se justificar, certo? Eu só posso dizer uma coisa: “Cara, assuma as merdas que você faz!”

- Seja informado: A esfera terrestre esta girando (sim, ela não é plana!) e saber somente o que ocorre no seu pequeno mundinho não vai te levar a lugar nenhum. Estamos vivendo tempos que as informações correm tão rápidas quanto os próprios fatos, por isso, só não sabe aquele que não quer saber, e se você não sabe, procure conhecer antes de colocar sua opinião.

Essa bíblia deveria ser um guia da humanidade complementar a qualquer religião ou crença (ou falta dela). Não importa se você acredite em Deus, assim como eu acredito Nele, ou que você O chame por outro nome, ou ainda que cada um Deles tenha seu significado e o seu próprio nome. Para algumas pessoas é importante ter fé e seguir os preceitos religiosos, mas devemos acima de tudo praticar a fé nos homens, respeitando suas crenças, suas culturas e seus rituais. O maior bem da humanidade não são os templos religiosos ou terras sagradas, mas sim a própria humanidade, o homem!

Duda

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Previsibilidade

*** Atenção: este post contem SPOILERS de filmes ***

No final de semana comecei a assistir a um filme com minha esposa. O filme se chamava O Poder da Traição (2009) com Julianne Moore e Liam Neeson. Nos primeiros 10 minutos do filme foi nítido (pelo menos para mim) como o filme iria se desenrolar até seu fim. Basicamente a Julianne Moore desconfiava da simpatia do marido Liam Neeson com as mulheres e durante um jantar em um restaurante acabou conhecendo uma garota de programa, que a mando de Julianne Moore, iria se insinuar para seu marido. Foi muito previsível que a personagem que interpretava a garota de programa estava mentindo sobre os encontros com o marido da Julianne Moore. Tive que tecer meu comentário sobre como tudo soava muito fantasioso e que era evidente que a garota estava flertando a Julianne Moore (Isso mesmo!). Claro que ouvi comentários do tipo: "Que absurdo, ela não esta mentindo sobre o marido da Julianne Moore só para dar ‘uns pegas’ nela!" e ainda "Esse cara não é nenhum santo... ele deve ter feito coisa errada mesmo!". Não sei se é porque gosto muito de filmes ou já assisti muitos dos tipos mais variados, e com isso, acabei percebendo que alguns filmes são mestres em clichês, e esse esta entre os TOPs.

Acabei por apreciar filmes com características imprevisíveis, como o Bastardos Inglórios (2009) do Quentin Tarantino - tudo bem que não tem nenhum filme dele com características previsíveis - que simplesmente joga a história da humanidade no lixo e a recria como o mundo todo gostaria que tivesse sido. Outro bom exemplo é o Sexto Sentido (1999) de M. Night Shyamalan que chamou a atenção para a reviravolta nos últimos minutos da trama. Ou ainda um filme um pouco mais velhinho, como o Se7en (1995) que, em minha opinião, embora o “mocinho” mata o “bandido” no final, este ultimo vence, pois ele próprio foi conseqüência do que seria o sétimo pecado: Ira. Nessa perspectiva, o "bandido" vence no final.

Eu acabei tomando como premissa que, quando o “mocinho” se ferra no filme, este sim é um bom filme. Mas é claro que já me enganei algumas vezes, mas esses enganos foram poucos comparados aos acertos dos filmes previsíveis.

Pois bem, eu sei que falei um pouco de filmes, mas foi apenas uma introdução para falar da previsibilidade na vida real. De cara já vou dizendo que eu me considero uma pessoa previsível, mas até que ponto isso é ruim ou em que momentos a previsibilidade passa a ser uma qualidade?

Na teoria - e quando eu digo "na teoria" é porque sabemos de tudo isso, mas aplicar é outra história - tudo não passa de como colocar os ingredientes na medida certa. A previsibilidade sugere que estejamos em algo repetitivo, dentro de um padrão de acontecimentos, mas não chega a ser uma rotina, assim como assistir diversos filmes com o mesmo enredo, porém com cenários, personagens e histórias diferentes (ou assistir a novela das 8 da Globo, tanto faz) e isso nos trás uma certa experiência  (diria até um poder) para prever como as coisas vão acontecer. Algumas vezes somos cobrados pelas pessoas e outras vezes por nós mesmos, em mudar, variar, ou seja, deixar de ser previsível, deixar o "bandido" vencer no final.

Agora coloco o seguinte ponto: Sou Gerente de Projetos e digo que não há nada mais perfeito que a previsibilidade dentro de um planejamento de projeto, executando tudo na mais perfeita harmonia dentro de tudo que foi definido no plano de cronograma, plano de custo, definição do escopo e qualidade. Mudando um pouco o cenário, hoje quero ir trabalhar, pegar meu filho na escola, dar banho nele, tomar um banho, se arrumar, deixar meu filho com os avôs para ir ao cinema, comprar os ingressos e a pipoca e assistir ao filme. Um programa como esse tende a ter um final previsível, pois um único fator pode colocar tudo a perder, e esse fator pode ser o transito, filas longas ou achar uma vaga de shopping. Seria ótimo se pudéssemos fazer tudo isso conforme planejado, mas é muito previsível que o transito pode atrapalhar tudo isso ainda mais morando em uma cidade como Jundiaí, Campinas ou São Paulo. Dessa forma, porque não prever o pior e sair um pouco mais cedo? Porque já não comprar o ingresso antes pela internet? Com isso eu dou um gancho para o tema do próximo post que gostaria de falar sobre pessimismo.

Concluindo esse post, queria deixar algumas perguntas para reflexão. Previsibilidade é um mal necessário? Viver sem um mínimo de previsibilidade garante um lugar no hospício? Viver uma vida diferente todos os dias garante a felicidade? É possível viver sem falar aquela maravilhosa frase: "Viu? Eu tinha razão! Como sempre!" ?

Até o próximo post.

Duda